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publicidadenestle.fwDisseminar conhecimentos atualizados relativos ao cuidado do neonato ao nascer, no transporte e na estabilização imediata após a reanimação, com a finalidade de reduzir a mortalidade associada à asfixia perinatal.

O texto abaixo é o novo documento científico do Programa de Reanimação Neonatal baseado no Consenso em Ciência e Recomendações Terapêuticas do International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR – publicado em 20 de outubro de 2015) e na Reunião de Consenso para as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria realizada em 25 e 26 de novembro de 2015, em São Paulo SP, com o Grupo Executivo e as Coordenações Estaduais do PRN-SBP.

Participaram da Reunião de Consenso do PRN-SBP: AC – Ana Isabel Montero e Joseneide Vargas; AL – Claudio Soriano e Junko Oliveira; AM – Rossiclei Pinheiro, Brisa Rocha e Ana Rita Leitão; AP – Rosilene Trindade e Érica Aymoré; BA – Lícia Moreira, Tatiana Maciel e Patrícia de Oliveira; CE – Maria Sidneuma Ventura e Fabíola Marques; DF – Karinne Muniz e Marcelo Chagas; ES – Rosa Albuquerque e Cristiane Araújo; GO – Fernanda Peixoto e Renata de Castro; MA – Marynéa Vale, Susana Valadão e Roberta Albuquerque; MG – Márcia Machado e Marcela de Castro; MS – Carmen Figueiredo e Ana Paula Paes; MT – Sandra Monteiro e Gisele Oliveira; PA – Rejane Cavalcante e Vilma de Souza; PB – Shamya Rached e Fernanda Albuquerque; PE – Danielle Brandão, José Henrique Moura e Manuela Abreu e Lima; PI – Mariza Silva e Maria José Mattos; PR – Gyslaine Nieto e Adriana Mori; RJ – José Roberto Ramos e Antônio Carlos Melo; RN – Nívia Arrais e Cláudia Maia; RO – Daniel Carvalho e Alberto Castroviejo; RR – Celeste Wanderley e Marilza Martins; RS – Paulo Nader, Marcelo Porto e Sílvio Baptista; SC – Leila Pereira, Gean da Rocha e Carolina Puhl; SE – Ana Jovino Bispo e Roseane Porto; SP – Jamil Caldas, João César Lyra, Lígia Rugolo, Lílian Sadeck dos Santos, Mandira Daripa, Maria Fernanda de Almeida, Ruth Guinsburg, Sérgio Marba, Helenilce Costa e Cláudia Tanuri; TO – Hélio Maués e Paulo Tavares.

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1. Introdução

A mortalidade de crianças menores de 5 anos caiu drasticamente no mundo, com 3,6 milhões a menos de mortes em 2013, comparada ao ano 2000.1 A maior parte dessa redução é atribuída à prevenção e tratamento de doenças infecciosas no período pós-neonatal. neonatais vêm assumindo importância crescente: em 1990, as mortes neonatais foram responsáveis por 37,4% dos óbitos abaixo de 5 anos, sendo esse valor de 41,6% em 2013.3 As três principais causas das 2,9 milhões de mortes neonatais a cada ano no mundo são: complicações da prematuridade (1,0 milhão), eventos relacionados ao parto (0,7 milhão) e infecções (0,6 milhão).

O Brasil, com uma população ao redor de 200 milhões e 3 milhões de nascimentos por ano, reduziu as mortes de crianças abaixo de 5 anos em 78% entre 1990 e 2013, atingindo a Meta de Desenvolvimento do Milênio número 4. 69% dos óbitos infantis e, dos 26.730 óbitos neonatais, 76% ocorreram entre 0-6 dias após o nascimento.

A mortalidade neonatal precoce associada à asfixia perinatal em recém-nascidos de baixo risco, ou seja, com peso ao nascer ≥2500g e sem malformações congênitas, é elevada em nosso meio. Estudo feito pelo Programa de Reanimação Neonatal mostrou que, entre 2005 e 2010 no Brasil, ocorreram 5-6 mortes precoces por dia de neonatos ≥2500g sem anomalias congênitas por causas associadas à asfixia perinatal, sendo duas delas, em cada dia, decorrentes de síndrome de aspiração de mecônio. A maior parte dessas mortes aconteceu no primeiro dia de vida.

As intervenções para reduzir a morbidade e a mortalidade neonatal associadas à asfixia perinatal e à síndrome de aspiração de mecônio incluem: 1) Medidas de prevenção primária, com melhora da saúde materna, reconhecimento de situações de risco no pré-natal, disponibilização de recursos humanos capacitados para atender ao parto e reconhecer complicações obstétricas, entre outras; 2) Tratamento do evento, que consiste na reanimação neonatal imediata; 3) Tratamento das complicações do processo asfíxico, compreendendo o reconhecimento da asfixia e suas complicações, com terapia dirigida à insuficiência de múltiplos órgãos.

Para avançar na agenda global relativa à saúde neonatal, os países precisam assegurar que a vida de cada recém-nascido, individualmente, é prioritária, implementando cuidados em toda a cadeia acima relacionada e programas de educação de larga escala dirigidos a tais cuidados.

Nesse contexto, o progresso na sobrevida neonatal deve incluir a qualificação do atendimento ao recém-nascido e da força de trabalho responsável por tal atendimento. especializado para uma transição bem sucedida ao nascer, tem sido um foco maior dentre os esforços para diminuir a mortalidade neonatal precoce.

Ao nascimento, cerca de um em cada 10 recém-nascidos (RN) necessita de ajuda para iniciar a respiração efetiva; um em cada 100 precisa de intubação traqueal; e 1-2 em cada 1.000 requer intubação acompanhada de massagem cardíaca e/ou medicações, desde que a ventilação seja aplicada adequadamente. A necessidade de procedimentos de reanimação é maior quanto menor a idade gestacional e/ou peso ao nascer. O parto cesárea, entre 37 e 39 semanas de gestação, mesmo sem fatores de risco antenatais para asfixia, também eleva a chance de que a ventilação ao nascer seja necessária.

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Fonte:www.sbp.com.br/reanimacao